Um post pra você parar de fumar

Essa é uma das histórias que eu contei no último blog que eu acho que não deveria morrer com ele. Também gostaria de dizer que fumar faz mal, mata e etc etc. Então não fumem, ok?

Eu estava em Salvador com meu namorado e sem meias palavras, meu namoro estava uma merda. Nós brigávamos quase que diariamente e eu estava muito estressada. Um desses dias eu fui até uma vendinha perto do hotel e comprei um maço de cigarros. Eu fumava pra desestressar, ok? Só tinha um problema: ele odiava cigarros. Pra ser bem honesta, eu também odiava, mas…

Se ele sequer sonhasse que eu estava fumando, certeza que ele terminaria o namoro. E sendo a ótima pessoa que eu sou, eu me importava o suficiente pra fumar escondida mas não me importava o suficiente pra parar de fumar. Claramente meu namoro era um peixe boiando de barriga pra cima que eu teimava em fingir que estava vivo e bem. Nós estávamos no primeiro andar, e nosso quarto tinha uma varandinha que tinha uma vista maravilhosa para…

…o estacionamento. Ele estava em Salvador a trabalho e o quarto era só pra dormir, não pra uma viagem romântica a dois. Melhor pra mim, já que ninguém ia me ver ali bancando a chaminé. A varandinha era separada do quarto por uma porta de correr, que travava por dentro. Então após outra briga épica, ele saiu pra trabalhar e eu fui pra varandinha fumar meu desestressante cancerígeno. Tentei deixar a porta da varandinha o mais próximo possível de fechar sem na verdade fechar, mas minha pata de elefante empurrou a porta mais do que deveria e eu ouvi um click! que gelou minha alma. A porta travou. Comigo lá.

Gostaria de dizer que eu fui super cool e mantive a calma, mas a verdade é que eu entrei em pânico e comecei a considerar as possibilidades.

EU VOU TER QUE ESPERAR MEU NAMORADO VOLTAR!!!!!!!

ELE VAI ME VER AQUI TRANCADA FEDENDO A CINZEIRO!!!!!!!!!!!

ELE SÓ VOLTA DAQUI 10 HORAS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Felizmente eu estava sofrendo por antecipação e não tinha percebido que a porta de correr era dupla, ou seja, eu só havia trancado metade dela. Terminei meu cigarro e entrei no quarto pela metade não trancada muito plena e bela, como se nada de errado tivesse acontecido. Jurei que ia parar de fumar, que tudo ia melhorar e todas aquelas coisas que a gente promete quando acha que está às portas da morte.

Até o dia seguinte. Mais uma manhã de bosta, ele saiu e eu corri pra varandinha de isqueiro e cigarro em punho. Novamente eu tentei ser cuidadosa pra fumaça fedida não invadir o quarto, e dessa vez fechei a porta da varandinha que travou igualzinho no dia anterior. Mas eu esqueci de checar a outra metade da porta, que por uma ironia do destino, também estava trancada… Diferente do dia anterior, a camareira já tinha limpado o quarto e provavelmente fechou a porta da varanda pra evitar que os ventos fortes que vinham da praia emporcalhassem tudo.

Como eu já tinha entrado em pânico no dia anterior, dessa vez foi diferente. Eu terminei de fumar meu cigarro enquanto observava a linda vista da garagem. Até pensei em gritar, mas não tinha ninguém por perto. E francamente, o que você faria se visse uma louca gritando que estava presa numa varanda de hotel? Se você respondeu “Chamaria a polícia!”, saiba que eu também pensei nisso e já imaginei a Globo local noticiando sobre a idiota que ficou presa na varanda do quarto de hotel porque estava fumando escondida do namorado.

Só me restava uma opção. Eu estava no primeiro andar, certo? Se eu pulasse da varanda, não ia me machucar muito. Acho. Espero. Logo abaixo de mim tinha um gramado com suave declive e eu imaginei que se eu caísse e rolasse ladeira abaixo tudo ia ficar bem. Então eu encostei a cadeira na grade que protegia a varanda e pulei.

Conforme planejado, caí no gramado e rolei graciosamente no declive. Ok, talvez não tenha sido tão graciosamente assim. Eu estava com um vestidinho branco que ficou encardido, além do meu cabelo ficar cheio de grama. Eu parecia um zumbi que havia acabado de levantar da tumba. Caminhei meio mancando até a recepção.

Olá, você poderia por favor me dar outra chave pro quarto 107??

Peguei a chave com a recepcionista, que foi simpática o suficiente pra não comentar que eu estava imunda e descalça na recepção de um hotel chique. Talvez gente rica seja excêntrica assim mesmo, né? Voltei pro quarto e tomei um banho longo o suficiente pra lavar a minha vergonha ralo abaixo. Infelizmente não deu pra tomar um banho tão longo assim então eu tive que sair depois de duas horas.

Meu namoro acabou. Eu parei de fumar. Mas a vergonha, amiguinhos, essa vai me acompanhar pro resto da vida.

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