Piririm piririm piririm! Passei vergonha sim!

Nessa altura do campeonato você, que já leu os outros posts do meu blog, deve achar que eu sou uma entidade que atrai situações vergonhosas. Um para-raio de constrangimentos, se você assim preferir. Ou talvez eu só venha no blog pra contar como eu me dou mal na vida.

Fato é que ontem estava muito, assim MUITO calor. As cigarras já estavam cantando desde cedinho. E eu fui criada no Mato Grosso do Sul, então pra eu dizer que estava calor é porque a temperatura tem que estar no mínimo na casa dos 30ºC. Eu saio de casa 6:40 da manhã todo dia e já estava quente, então catei uma brusinha regata e uma saia preta e saí muito linda e mais fresca que uma manhã de primavera. Lembrando que eu trabalho num escritório, e não numa boate, já que a regata era comportada e a saia era no joelho.

Lá pelas 4 da tarde minha colega da outra unidade pediu minha ajuda para instalar um aparelho novo de telefone para conferências na sala de reuniões. Eu não sou TI, mas posso ser pra TI o que TU quiser. Gente, desculpa, é mais forte do que eu. Enfim, era uma tarefa simples que consistia em plugar o aparelho novo no cabo de rede e fazer umas ligações-teste pra ver se o bicho estava funcionando apropriadamente. Como eu estava me revezando entre a minha sala e a sala de reuniões, nem percebi quando meu chefe saiu da nossa sala e se dirigiu à sala de reuniões pra atender uma ligação no telefone dele mesmo. Fato é que entrei na sala e ele estava lá falando no outro telefone enquanto eu instalava o telefone novo.

Conectei tudo e no final só faltava descobrir onde que eu conectava o teclado numérico daquela coisa. Fui olhar por baixo do telefone, mas achei que era melhor sentar pra fazer isso. Puxei uma cadeira e fui acomodar a minha bunda gigantesca (que se fosse 10 cm mais larga teria o próprio CEP), mas não sei o que aconteceu depois disso. Talvez o capeta tenha puxado a cadeira. Talvez tenha um desnível na sala e a cadeira de rodinhas simplesmente voltou pra trás. Talvez eu seja uma anta de tetas e nem tenha percebido que não puxei a cadeira pra perto o suficiente.

Eu só sei que sentei e fui caindo, caindo… Em câmera lenta. Minha vida passou diante dos meus olhos. Eu acabei estatelada no chão com as pernas pra cima. Minha primeira reação foi rir, claro. Pisa na merda, abre os dedos né? A segunda foi olhar a cara do meu chefe e ver se ele estava rindo. Não estava, que homem gentil e cavalheiro. A terceira foi tentar me recompor e me levantar.

Meu chefe desligou o telefone e deu risada finalmente. Disse que não podia rir enquanto estava no telefone, porque se fizesse isso ia ter que contar pra outra pessoa o que tinha acontecido. No final das contas eu fiquei mega feliz de não ter derrubado o aparelho novo no chão, porque o negócio custava o olho da bunda (eu sei, eu que coloquei o pedido pra comprar aquele troço). Moral da história: vai sair de saia? Então use uma calcinha bonitinha, você nunca sabe quando vai acabar mostrando ela pra alguém. Hoje eu to com as costas travadas do tombo, mas o importante é que a calcinha era bonitinha.

Uma história sobre cabelo

Ano passado eu decidi que ia realizar um sonho antigo meu e pintar o cabelo de rosa. Não qualquer coisa, mas ROSA-PINK-FLUORESCENTE-RADIOATIVO-TCHANAMMMM. Minha obsessão com cabelo rosa é antiga: Gwen Stefani foi minha musa da adolescência e até hoje eu adoro a maioria das coisas que ela faz/usa.

Incluindo cabelo pink e batom vermelho.

Daí eu estava dando aula de inglês, podia ser mais moderninha e talz… Aproveitei que estava com o cabelo platinado e fui numa loja de artesanato que tinha perto de casa e comprei anilina.

O resultado foi um cabelo tão, mas TÃO PINK que eu podia ser observada do espaço juntamente com a muralha da China. Mas não acreditem na minha palavra apenas, vejam a foto que vocês vão ter uma ideia do que eu estou falando.

Eu estava assim…

…e fiquei assim.

Eu tenho pouquíssimas fotos de cabelo pink, e o motivo é bem simples: eu não cheguei a ficar com o cabelo dessa cor nem uma semana. Isso por que alguns dias depois me chamaram pra uma certa entrevista de emprego, e eu até posso parecer meio doida mas não queria chegar lá parecendo uma doida completa de cara né? Taquei tintura castanha no cabelo. Ainda assim, a ponta do meu cabelo ainda ficou rosa.

Quando pediram pra eu retornar no dia seguinte, eu estava disposta a fazer a mudança total pra me livrar do rosa: passei tintura preto-azulada no meu cabelo. Pra mim não era muito chocante porque já tive o cabelo preto muitos anos, mas quem me viu ir do platinado pro rosa pro preto em menos de uma semana deve ter ficado confuso. Meus alunos devem ter achado ótimo ter uma professora diferente a cada aula.

Te garanto que minha voz não mudou nada.

Um ano depois eu ainda tenho um monte de cabelo preto, mas estou deixando crescer e estou cortando aos pouquinhos. Minha meta é voltar a ser loira de novo, porque não acho que o cabelo preto combina mais comigo. Parece que ele me dá uma aparência mais severa.

Dica pra vida de hoje: cabelo colorido só em emprego moderninho. Enquanto o futuro não chega, vamos seguindo com o cabelo “normal” de sempre.

 

(BEDA) A melhor piada que você vai ver hoje

Ainda sobre ser professora de inglês: eu tenho uma liberdade em sala de aula que eu duvido que outros professores tenham. Quer dizer, escola na minha época era um troço engessado e tinha aquele esquema aluno-sentado-professor-em-pé. O foco da aula era 100% o professor e dificilmente você ouvia o aluno falando. Honestamente, era um troço muito chato, ainda mais se você tem uma aluna tipo eu que tem bicho carpinteiro e fica bem entediada com uma aula tradicional.

A palavra hoje em dia é dinamismo. Ou você tem uma aula dinâmica, ou você perde o aluno. E eu entendo isso mais do que ninguém, já que eu tive que lidar com a minha dose de aulas chatas. Eu no meu estado natural faço bagunça, canto e me mexo bastante durante a aula. Desde que eu esteja falando inglês (e trazendo os alunos junto comigo), pouco importa o método, certo?

Essa semana por exemplo eu estava dando aula pros meus alunos mais jovens (idades entre 12 e 15 anos) quando uma das alunas soltou um “Teacher, eu consigo sentar no chão, dar um mortal pra trás e me levantar!”. O que vocês fariam? Eu falei “Duvido!” e desafiei a aluna hahahaha! Mano, ela conseguiu! Batemos palmas e logo outras alunas estavam falando em dar estrela na sala já que era uma sala grande. “Eu sei virar estrela!”, eu disse. Eles desafiaram. EU FIZ HAHAHAHAHAH! Então sim, eu amo dar aula de inglês porque onde mais você daria estrela em sala de aula?

Minha aula é mais animada que esse gif

Hoje eu estava dando aula e no meio da aula uma aluna pergunta algo pra outro aluno. A sala ficou em silêncio e o aluno disse “Fala pra todo mundo!”. A aluna ficou sem graça e falou que era melhor não. Mas curiosa que eu sou eu enchi a paciência dela até ela me dizer.

“Teacher, sabe qual a diferença entre chupar uma laranja e chupar uma rola?”

O que vocês fariam no meu lugar? Lógico que eu disse que não sabia.

“Não sei, nunca chupei uma laranja!”

Eu passei MAL. Sério, eu ri tão alto que todas as outras salas salas ouviram. Cheguei a cair no chão rindo. Moral da história: inglês é bom, mas não há nada como uma piada suja em português. 

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(BEDA) Coisas que você não deve dizer a um professor de inglês

1) Quantos anos você morou fora do Brasil?
Morei três na Bolívia, foi lá que eu aprendi espanhol. Inglês eu aprendi no Brasil mesmo. Não, não precisa fazer bruxaria, é só estudar.

2) Ain traduz isso aqui pra mim rapidinho??
A pessoa tem zero intimidade comigo, não me chama pra nada, não me manda nem ~scrap~ no meu aniversário e acha que pode pedir favor pra mim. Olha bem pra minha cara e me diz se eu pareço o Google tradutor.

3) O QQ ELES TÃO CANTANDO NESSA MÚSICA?? *tira o celular do bolso e coloca uma música aleatória do Justin Bieber pra tocar*
Se eu não traduzo, eu sou chata. Se eu traduzo, eu estrago a música porque a letra é uma bosta.

4) Você dá aula só ou também trabalha?
Por acaso eu tenho dois empregos.

5) Eu queria aprender inglês, mas é tão difícil!
Se eu ganhasse uma rola pra cada vez que eu ouvisse isso eu estava afogada em rola e feliz.

6) Você fala inglês? Nossa, como você é metida!
Não sou tão metida quanto gostaria, mas vamos levando né?

7) Você é boa de língua? *piscadinha marota*
Eu não sou boa. Eu sou excelente. Eu gosto demais da coisa e quando eu coloco minha língua pra trabalhar eu deixo as pessoas de boca aberta. E você, faz mais alguma coisa da vida além de perguntas constrangedoras?

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(BEDA) Passando vergonha

Dê o play nessa música antes de ler esse post.

Eu tenho toda uma história de vida baseada em fazer bosta e passar vergonha. Às vezes eu passo vergonha porque sou o estabano em pessoa e meto os pés pelas mãos com certa frequência. Mas na maior parte do tempo, eu passo vergonha porque to tentando ser uma mocinha bonitinha e educada. Obviamente, eu falho miseravelmente nesse quesito.

Hoje foi o primeiro dia de aula do semestre e, apesar de já ter dado aula pra essa turma, sempre rola uma timidez inicial. Pra descontrair, o livro sugere uma atividade em que contamos sobre momentos embaraçosos que ocorreram recentemente. Apesar de ter mostrado a bunda pra metade do pessoal da fábrica onde eu trabalho recentemente, a primeira história que me veio à cabeça foi outra.

Eu tive que ir no centro da cidade com um moço muito bonito esses tempos. E, sabendo que estaria com ele, eu quis ir arrumadinha né. Não sei se vocês conhecem minha cidade, mas estamos falando de morros íngremes e ruas antigas de paralelepípedo. Mas eu gosto de viver perigosamente e coloquei um salto alto. E foi tudo bem até estarmos voltando pro carro e o meu salto ficar preso em uma grade na calçada.

PUTA. QUE. PARIU. Sabe quando tu quer ir mas o pé fica? Daí tu força e o sapato fica pra trás ahahahaha? Pensa no desespero da pessoa tendo que arrancar o scarpin da grade e tendo que fazer cara de paisagem enquanto o moço bonito tá te observando? ARGH! 

Pelo menos funcionou, meus alunos se identificaram com a história  e começaram a compartilhar os próprios momentos embaraçosos. Eis que uma das alunas compartilha a seguinte pérola:

Eu estava descendo uma escada com um vestido muito curto e salto muito alto. Daí vi um menino bonito no pé da escada e não vi que o salto enroscou no vestido. Eu fiquei presa, me debatendo como um peixe fora d’água. Precisei da ajuda de um amigo pra me desenroscar.

Eu caguei o salto do meu sapato favorito, mas não há nada que se compare a dor de passar vergonha na frente de quem tu tá tentando impressionar.

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(BEDA) Exportando para o Peru: um guia longo e duro (parte II)

Vocês conhecem o Peru? Conhecem tudo ou só uma parte? Infelizmente eu só conheço por foto, mas espero mudar isso muito em breve. 🙂

Sei que ontem eu estava meio pra baixo, mas faltando 5 minutos pra eu sair meu contato da matriz me chamou no skype pra dar uma notícia maravilhosa: ia entrar MUITO Peru! Mas o gringo não deixou nem eu respirar e colocou tudo de uma vez. Fiquei até atordoada. Quase sessenta pro Peru, assim, do nada. A vontade que deu foi sair gritando pela fábrica que estava entrando muito Peru, pra que todo mundo já ficasse preparado. O Peru é duro! Se não houvesse uma preparação antes, muita gente podia acabar na mão.

Já virei pro meu chefe e avisei que estava entrando Peru. Ele rebateu “Lá vem você com essa conversinha de novo!”, mas eu estava falando muito sério. Um negócio grande assim exige muito cuidado. O gringo estava esperando uma posição minha mas eu avisei que só conseguiria dar uma posição mais firme pra ele no dia seguinte. Tanto Peru assim precisa coordenar com muita gente, se ficasse só na minha mão eu não daria conta.

Gente só de pensar no Peru eu já fico asjdakjshdkjahsdkj

Logo de cara já tem um Peru de 24 e eu juro pra vocês, é o maior Peru que eu já encarei desde que comecei a trabalhar com exportação. Meu principal problema com o Peru é que ele entra fácil, mas depois é aquela enrolação pra sair. Tudo bem, desde que o cliente saia satisfeito e querendo mais. E tomara que o Peru continue crescendo!

Eu só queria dizer que não há nada como o Peru entrando pra gente parar de pensar no que não deve. Acho que era por isso que eu estava triste: estava faltando Peru na minha vida. Agora estou com Peru até o talo e estou rindo à toa!

E vocês parem de pensar besteira que eu estou falando de trabalho, ok?

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(BEDA) Maturidade Zero

  • Um tempo atrás eu decidi que ia ver um anime que estava bombando e que todo mundo estava falando bem. De fato, o tal anime era legal e estava me entretendo até que lá pelo meio aparece o grande vilão da trama e o nome dele era Biba. Biba, o libertador. Biba, o poderoso. A partir daí ficou difícil de levar a sério, porque tudo era culpa de Biba.

Biba é, acima de tudo, um vilão FABULOSO

  • Não tenho maturidade pra comprar papel higiênico tipo rolão. Muito menos pra dar conta de um pacote que vem com 8 rolão.

Vai um rolão branco aí?

  • Uma vez o SBT passou uma novela com o singelo nome de Pícara Sonhadora.

Enquanto isso, nóis fica aqui sonhando ca pica né

  • Esses dias eu estava pesquisando a compra de um produto químico para a fábrica e me deparo com um produto cujo nome singelo é “Nabumetona”. Fiquei meia hora dando risada com o consultor técnico aqui da fábrica, que deve ter uns 80 anos. Logo em seguida, chega meu diretor. Ele para, lê o nome do produto e pronuncia em voz alta “NABUCETONA”. Rimos muito. Ainda não consegui concluir essa compra.

E nabumetona, não vai nada??

  • No meu estado tem uma cidade chamada Anaurilândia.

Fica no cu do mundo

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(BEDA) Exportando para o Peru: um guia longo e duro

Tudo começou ano passado quando recebemos um pedido de exportação para o Peru. Tratava-se de um cliente antigo, e já fazia algum tempo que não exportávamos para lá. Sendo nova no cargo, era natural que eu me sentisse um pouco perdida. Esse era o primeiro Peru que eu ia encarar. Minha jornada começou assim, com meu chefe me fazendo um pedido singelo:

Segundo mês no cargo, zero de intimidade e tendo que ouvir o moço falando pra eu levantar o Peru. Meu chefe ficou sem graça porque ele não falou com maldade, mas eu já estava calejada. E sendo uma moça muito eficiente, levantei o Peru rapidinho. Estavam achando o quê? Colocou na minha mão eu levanto!

Meu primeiro Peru foi um de 15…

…toneladas de produto. Mas no final das contas o cliente quebrou o Peru em dois e tivemos que mandar duas cargas separadamente. E o parto que foi pra sair esse Peru? Quase precisamos brigar para mandar o Peru, que no final das contas só terminou de sair no começo do ano.

O problema foi que depois disso não parou mais de entrar Peru. E veio de tudo que era tamanho: tinha de 15, de 18, até de 20 nós tivemos que encarar. Novamente tivemos um problema com a saída da carga, mas eu não deixei barato: fiquei em cima do Peru, fazendo pressão. E quando o Peru finalmente saiu deu uma sensação imensa de alívio, mas também de vazio.

Porque esse Peru me fez muito feliz. Não há nada a ser feito além de amar muito o Peru.

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(BEDA) Bunda ao vento

Qual a coisa mais constrangedora que aconteceu com você nos últimos dias? Que tal mostrar a bunda pro seu diretor?

OLAR

Depois da cirurgia para retirada da pedra da vesícula eu perdi muito peso. Com isso eu perdi 90% das minhas roupas, o que me obrigou a comprar tudo de novo. Comprei umas calças numa loja famosa com nome de mulher cuja primeira sílaba é igual a primeira sílaba do meu nome e fui trabalhar uma segunda-feira com uma dessas calças. Eu não contava que o universo queria me expôr nesse dia.

Está fazendo muito frio aqui por esses dias e juro que achei que minha bunda estava gelada por isso. Bem, por isso e por ela ser uma bunda portentosa. De acordo com meu irmão, minha bunda regula de tamanho com um satélite e provavelmente tem o próprio campo gravitacional. Então eu teria problemas para aquecer a larga área do meu derrière.

Deu meio dia, comentei alguma coisa com meu chefe – que estava em reunião com o coordenador de produção e avisei que iria almoçar. Passei na sala do meu diretor não lembro por qual motivo e segui para o refeitório da empresa. De novo aquela sensação de bunda gelada, mas eu já nem estava incomodada mais porque estava assim desde cedo. Quando eu cheguei no refeitório que um anjo em forma de cozinheira me chamou e disse as palavras que gelaram minha alma:

“Moça, sua calça tá rasgada.”

Rasgada era um eufemismo né. Considerando o tamanho da minha bunda, aquilo era uma tragédia de proporções bíblicas. Eu não sabia se eu voltava correndo pra sala ou se comia. Pra minha sorte, estava usando uma camisa comprida e consegui tapar o rasgo enquanto almoçava. Tem que comer né, senão a cabeça não funciona. Pós almoço corri de volta para a sala e iniciei a operação de guerra pra salvar o restinho de dignidade que eu ainda tinha. Liguei pra minha mãe e pedi para ela separar uma calça. Em seguida, chamei um moto-táxi e pedi para ele passar em casa e pegar a calça.

Dez, vinte minutos se passaram. Nada do moto-táxi chegar na fábrica. Desesperada, liguei na portaria. Um porteiro muito solícito me informou que sim, o moto-táxi já havia entregado minha encomenda, mas ele não quis me incomodar porque a porta da minha sala estava fechada. Oi???? Estava fechada porque eu não estava a fim de expôr a bunda de novo. Amarrei uma blusa na cintura, corri na portaria, peguei a calça e voltei correndo para a sala pra trocar. O ALÍVIO.

Daí você começa a pensar nas coisas e lembra que falou com seu diretor e atravessou meia fábrica pra almoçar.

Quantas pessoas que viram minha bunda nesse meio tempo?

Será que meu diretor viu minha bunda? 

Será que mostrar a bunda era algo passível de justa causa???????? 

Pisa na merda, abre os dedos né. O que me consolou foi que, nesse dia, eu estava com uma calcinha bonitinha. Menos mal.

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Ta-ta emprego antigo

Eu trabalhava numa multinacional asiática. E mesmo que eu saísse da empresa, ela não saía de mim. Eu sonhava com as coisas que ainda precisava fazer e tinha pesadelos com tudo dando errado. Algumas vezes, os pesadelos se tornaram realidade: tudo acontecia na pior hora, da pior forma. O nível de estresse era alto e constante. Perdi a conta de quantas vezes voltei chorando no fretado ou chorei escondida no banheiro. Cansei de ouvir que tudo que eu fazia era errado ou que as coisas deram errado por culpa minha. Outras vezes, recebia tarefas possíveis mas que deveriam ser cumpridas em prazos impossíveis. E quando de novo tudo desabava, eu me perguntava o que estava fazendo ali enquanto voltava chorando pra casa novamente.

A minha saúde começou a piorar. Meu estômago doía e me vi tomando remédio diariamente pra evitar as crises – que me levaram pro hospital em duas ocasiões diferentes. Meu humor ficava cada vez pior e eu me tornei uma pessoa amarga e tóxica. Eu estava num território hostil, esperando de onde viria a próxima porrada. E todo dia era uma pancada nova. A sensação era de estar descendo uma escada e sentir que ainda tinha um degrau pra descer, mas esse degrau nunca chegava.

E depois de tudo isso, ainda tive de ouvir que era idiota por desistir. Que o salário – O SALÁRIO – compensava tudo. Que o mercado estava ruim e eu ficaria desempregada por muito tempo. Que eu deveria ficar porque o medo ia levar a melhor e me manter acorrentada ali. Que eu era burra porque tinha o privilégio de ter um bom cargo numa empresa nova que estava crescendo e ainda assim joguei tudo no lixo. Burra. Idiota. Estúpida. Quanto tempo mais minha saúde ia aguentar? Quanto tempo mais minha sanidade seria mantida tendo que ouvir todo tipo de absurdo de quem deveria me orientar? Quantas vezes eu ainda ia voltar pra casa chorando no ônibus?

Eu só me dei conta de que tudo tinha acabado quando estava no ônibus: mas dessa vez a caminho do treinamento pra voltar a dar aulas de inglês. Comecei a chorar , uma felicidade doida que eu não lembro de ter sentido antes. O salário é menor, mas eu vou pro trabalho a pé em 10 minutos. Eu trabalho menos, mas me sinto infinitamente mais apreciada. Os colegas de trabalho são incríveis e sempre estão prontos pra te dar dicas. Ninguém ali quer puxar o seu tapete e todo mundo se ajuda.

Enfim, eu só queria dizer que…

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P.S.: Ta-ta é uma expressão do inglês britânico que significa “Adeus”. Achei apropriada. 🙂

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