(BEDA) Exportando para o Peru: um guia longo e duro (parte II)

Vocês conhecem o Peru? Conhecem tudo ou só uma parte? Infelizmente eu só conheço por foto, mas espero mudar isso muito em breve. 🙂

Sei que ontem eu estava meio pra baixo, mas faltando 5 minutos pra eu sair meu contato da matriz me chamou no skype pra dar uma notícia maravilhosa: ia entrar MUITO Peru! Mas o gringo não deixou nem eu respirar e colocou tudo de uma vez. Fiquei até atordoada. Quase sessenta pro Peru, assim, do nada. A vontade que deu foi sair gritando pela fábrica que estava entrando muito Peru, pra que todo mundo já ficasse preparado. O Peru é duro! Se não houvesse uma preparação antes, muita gente podia acabar na mão.

Já virei pro meu chefe e avisei que estava entrando Peru. Ele rebateu “Lá vem você com essa conversinha de novo!”, mas eu estava falando muito sério. Um negócio grande assim exige muito cuidado. O gringo estava esperando uma posição minha mas eu avisei que só conseguiria dar uma posição mais firme pra ele no dia seguinte. Tanto Peru assim precisa coordenar com muita gente, se ficasse só na minha mão eu não daria conta.

Gente só de pensar no Peru eu já fico asjdakjshdkjahsdkj

Logo de cara já tem um Peru de 24 e eu juro pra vocês, é o maior Peru que eu já encarei desde que comecei a trabalhar com exportação. Meu principal problema com o Peru é que ele entra fácil, mas depois é aquela enrolação pra sair. Tudo bem, desde que o cliente saia satisfeito e querendo mais. E tomara que o Peru continue crescendo!

Eu só queria dizer que não há nada como o Peru entrando pra gente parar de pensar no que não deve. Acho que era por isso que eu estava triste: estava faltando Peru na minha vida. Agora estou com Peru até o talo e estou rindo à toa!

E vocês parem de pensar besteira que eu estou falando de trabalho, ok?

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(BEDA) Maturidade Zero

  • Um tempo atrás eu decidi que ia ver um anime que estava bombando e que todo mundo estava falando bem. De fato, o tal anime era legal e estava me entretendo até que lá pelo meio aparece o grande vilão da trama e o nome dele era Biba. Biba, o libertador. Biba, o poderoso. A partir daí ficou difícil de levar a sério, porque tudo era culpa de Biba.

Biba é, acima de tudo, um vilão FABULOSO

  • Não tenho maturidade pra comprar papel higiênico tipo rolão. Muito menos pra dar conta de um pacote que vem com 8 rolão.

Vai um rolão branco aí?

  • Uma vez o SBT passou uma novela com o singelo nome de Pícara Sonhadora.

Enquanto isso, nóis fica aqui sonhando ca pica né

  • Esses dias eu estava pesquisando a compra de um produto químico para a fábrica e me deparo com um produto cujo nome singelo é “Nabumetona”. Fiquei meia hora dando risada com o consultor técnico aqui da fábrica, que deve ter uns 80 anos. Logo em seguida, chega meu diretor. Ele para, lê o nome do produto e pronuncia em voz alta “NABUCETONA”. Rimos muito. Ainda não consegui concluir essa compra.

E nabumetona, não vai nada??

  • No meu estado tem uma cidade chamada Anaurilândia.

Fica no cu do mundo

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(BEDA) Exportando para o Peru: um guia longo e duro

Tudo começou ano passado quando recebemos um pedido de exportação para o Peru. Tratava-se de um cliente antigo, e já fazia algum tempo que não exportávamos para lá. Sendo nova no cargo, era natural que eu me sentisse um pouco perdida. Esse era o primeiro Peru que eu ia encarar. Minha jornada começou assim, com meu chefe me fazendo um pedido singelo:

Segundo mês no cargo, zero de intimidade e tendo que ouvir o moço falando pra eu levantar o Peru. Meu chefe ficou sem graça porque ele não falou com maldade, mas eu já estava calejada. E sendo uma moça muito eficiente, levantei o Peru rapidinho. Estavam achando o quê? Colocou na minha mão eu levanto!

Meu primeiro Peru foi um de 15…

…toneladas de produto. Mas no final das contas o cliente quebrou o Peru em dois e tivemos que mandar duas cargas separadamente. E o parto que foi pra sair esse Peru? Quase precisamos brigar para mandar o Peru, que no final das contas só terminou de sair no começo do ano.

O problema foi que depois disso não parou mais de entrar Peru. E veio de tudo que era tamanho: tinha de 15, de 18, até de 20 nós tivemos que encarar. Novamente tivemos um problema com a saída da carga, mas eu não deixei barato: fiquei em cima do Peru, fazendo pressão. E quando o Peru finalmente saiu deu uma sensação imensa de alívio, mas também de vazio.

Porque esse Peru me fez muito feliz. Não há nada a ser feito além de amar muito o Peru.

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(BEDA) Bunda ao vento

Qual a coisa mais constrangedora que aconteceu com você nos últimos dias? Que tal mostrar a bunda pro seu diretor?

OLAR

Depois da cirurgia para retirada da pedra da vesícula eu perdi muito peso. Com isso eu perdi 90% das minhas roupas, o que me obrigou a comprar tudo de novo. Comprei umas calças numa loja famosa com nome de mulher cuja primeira sílaba é igual a primeira sílaba do meu nome e fui trabalhar uma segunda-feira com uma dessas calças. Eu não contava que o universo queria me expôr nesse dia.

Está fazendo muito frio aqui por esses dias e juro que achei que minha bunda estava gelada por isso. Bem, por isso e por ela ser uma bunda portentosa. De acordo com meu irmão, minha bunda regula de tamanho com um satélite e provavelmente tem o próprio campo gravitacional. Então eu teria problemas para aquecer a larga área do meu derrière.

Deu meio dia, comentei alguma coisa com meu chefe – que estava em reunião com o coordenador de produção e avisei que iria almoçar. Passei na sala do meu diretor não lembro por qual motivo e segui para o refeitório da empresa. De novo aquela sensação de bunda gelada, mas eu já nem estava incomodada mais porque estava assim desde cedo. Quando eu cheguei no refeitório que um anjo em forma de cozinheira me chamou e disse as palavras que gelaram minha alma:

“Moça, sua calça tá rasgada.”

Rasgada era um eufemismo né. Considerando o tamanho da minha bunda, aquilo era uma tragédia de proporções bíblicas. Eu não sabia se eu voltava correndo pra sala ou se comia. Pra minha sorte, estava usando uma camisa comprida e consegui tapar o rasgo enquanto almoçava. Tem que comer né, senão a cabeça não funciona. Pós almoço corri de volta para a sala e iniciei a operação de guerra pra salvar o restinho de dignidade que eu ainda tinha. Liguei pra minha mãe e pedi para ela separar uma calça. Em seguida, chamei um moto-táxi e pedi para ele passar em casa e pegar a calça.

Dez, vinte minutos se passaram. Nada do moto-táxi chegar na fábrica. Desesperada, liguei na portaria. Um porteiro muito solícito me informou que sim, o moto-táxi já havia entregado minha encomenda, mas ele não quis me incomodar porque a porta da minha sala estava fechada. Oi???? Estava fechada porque eu não estava a fim de expôr a bunda de novo. Amarrei uma blusa na cintura, corri na portaria, peguei a calça e voltei correndo para a sala pra trocar. O ALÍVIO.

Daí você começa a pensar nas coisas e lembra que falou com seu diretor e atravessou meia fábrica pra almoçar.

Quantas pessoas que viram minha bunda nesse meio tempo?

Será que meu diretor viu minha bunda? 

Será que mostrar a bunda era algo passível de justa causa???????? 

Pisa na merda, abre os dedos né. O que me consolou foi que, nesse dia, eu estava com uma calcinha bonitinha. Menos mal.

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Ta-ta emprego antigo

Eu trabalhava numa multinacional asiática. E mesmo que eu saísse da empresa, ela não saía de mim. Eu sonhava com as coisas que ainda precisava fazer e tinha pesadelos com tudo dando errado. Algumas vezes, os pesadelos se tornaram realidade: tudo acontecia na pior hora, da pior forma. O nível de estresse era alto e constante. Perdi a conta de quantas vezes voltei chorando no fretado ou chorei escondida no banheiro. Cansei de ouvir que tudo que eu fazia era errado ou que as coisas deram errado por culpa minha. Outras vezes, recebia tarefas possíveis mas que deveriam ser cumpridas em prazos impossíveis. E quando de novo tudo desabava, eu me perguntava o que estava fazendo ali enquanto voltava chorando pra casa novamente.

A minha saúde começou a piorar. Meu estômago doía e me vi tomando remédio diariamente pra evitar as crises – que me levaram pro hospital em duas ocasiões diferentes. Meu humor ficava cada vez pior e eu me tornei uma pessoa amarga e tóxica. Eu estava num território hostil, esperando de onde viria a próxima porrada. E todo dia era uma pancada nova. A sensação era de estar descendo uma escada e sentir que ainda tinha um degrau pra descer, mas esse degrau nunca chegava.

E depois de tudo isso, ainda tive de ouvir que era idiota por desistir. Que o salário – O SALÁRIO – compensava tudo. Que o mercado estava ruim e eu ficaria desempregada por muito tempo. Que eu deveria ficar porque o medo ia levar a melhor e me manter acorrentada ali. Que eu era burra porque tinha o privilégio de ter um bom cargo numa empresa nova que estava crescendo e ainda assim joguei tudo no lixo. Burra. Idiota. Estúpida. Quanto tempo mais minha saúde ia aguentar? Quanto tempo mais minha sanidade seria mantida tendo que ouvir todo tipo de absurdo de quem deveria me orientar? Quantas vezes eu ainda ia voltar pra casa chorando no ônibus?

Eu só me dei conta de que tudo tinha acabado quando estava no ônibus: mas dessa vez a caminho do treinamento pra voltar a dar aulas de inglês. Comecei a chorar , uma felicidade doida que eu não lembro de ter sentido antes. O salário é menor, mas eu vou pro trabalho a pé em 10 minutos. Eu trabalho menos, mas me sinto infinitamente mais apreciada. Os colegas de trabalho são incríveis e sempre estão prontos pra te dar dicas. Ninguém ali quer puxar o seu tapete e todo mundo se ajuda.

Enfim, eu só queria dizer que…

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P.S.: Ta-ta é uma expressão do inglês britânico que significa “Adeus”. Achei apropriada. 🙂

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