Maragogi: um guia prático

Maragogi é um pequeno paraíso em Alagoas, cercado de coqueirais e com ventos fortes que sopram do oceano. Pra onde você olhar, tem uma paisagem de cartão portal esperando pra ser fotografada. O mar é de um tom impressionante de azul. Mas a principal atração são as piscinas naturais, formadas na maré baixa.

Praia de Peroba (Maragogi – Alagoas)

Verifique o calendário lunar

A maré é mais baixa nas luas cheia e nova, então programe-se pra viajar nesses períodos. Do contrário, você vai acabar não conhecendo nenhuma piscina a não ser a do hotel.

Faça sua reserva com antecedência

O que não falta em Maragogi é hotel/pousada, mas conseguir um quarto legal no período que você quer exige um pouco de planejamento – especialmente na alta temporada. O hotel que fiquei não era minha primeira escolha, mas foi excelente e tinha tudo o que eu precisava: quartos confortáveis com ar condicionado, café da manhã caprichado, acesso direto à praia e um restaurante muito bom logo ao lado. Além de tudo isso, uma pessoa da agência Costazul ficava à disposição dos hóspedes em horário comercial para contratação de passeios/translados à preços justos.

Hotel Crôa Mares – Vista noturna da piscina

Vá por Recife

Apesar de ficar em Alagoas, a melhor opção pra chegar em Maragogi via aeroporto é por Pernambuco. Maragogi fica mais ou menos no meio do caminho entre Recife e Maceió, mas por Recife você tem mais opções de voos e a estrada até Maragogi é infinitamente melhor. Fiz o translado com o pessoal da Translado Recife e além de super atencioso o condutor nos deu dicas sobre as praias, passeios e sobre a tábua de marés.

Evite ficar no centro de Maragogi

Infelizmente a principal praia da cidade muitas vezes está imprópria pra banho. Quando fui conhecer a orla da Praia de Maragogi, vi num trecho bem curto duas valas malcheirosas desaguando no mar. O IMA – Instituto do Meio Ambiente de Alagoas emite relatório semanais com a balneabilidade das praias, então não custa verificar antes de ir entrando no mar.

Confira a tábua de marés

As piscinas naturais são formadas na maré baixa, então saber exatamente quando ela vai estar no ponto mais baixo ajuda a programar os passeios. Tem embarcação saindo pras piscinas o tempo todo, mas se você puder pegar o primeiro passeio da manhã é melhor porque as piscinas costumam lotar.

Máscara, snorkel e meia com solado antiderrapante ajudam

Eu queria ter comprado meu próprio conjunto de máscara/snorkel, porque são coisas obrigatórias pra quem vai conhecer as piscinas naturais. Mesmo assim, as agências que fazem os passeios alugam por cerca de 15 reais, o que vale a pena se você não liga de colocar na boca um snorkel que deve ter sido usado por umas 500 pessoas já. E a meia anti-derrapante não é obrigatória, mas teria ajudado um bocado a proteger minhas patinhas dos corais.

Vai saber por onde esse snorkel andou né

Tem muita coisa linda por perto

Se você vai ficar pouco tempo em Maragogi, não perca tempo indo pras adjacências e curta a praia de lá. Mas se tiver um tempinho a mais, vale a pena fazer o passeio até a Praia dos Carneiros em Pernambuco. O passeio pela Costazul custa 55 reais por pessoa e dura o dia inteiro. Leve dinheiro porque o passeio de catamarã oferecido pela mesma empresa só pode ser pago dessa forma.

Praia dos Carneiros (Tamandaré – Pernambuco)

É na Praia dos Carneiros que fica essa capelinha antiga, que abre pra missas na alta temporada e só pra casamentos no resto do ano. Dá pra acessar a partir do principal ponto de apoio da praia – o restaurante Bora Bora – em uma caminhada de cerca de 20 minutos.

É bom ter um mínimo de preparo físico

A Praia de Antunes é impressionante por si só, mas ela tem uma atração extra: a piscina natural pode ser acessada a pé. São 40 minutos de caminhada com água pelo joelho, mas juro que vale muito a pena.

Distância entre a praia e a piscina natural: um km mar adentro

A piscina é maravilhosa e cheia de todo tipo de vida marinha. A vista da praia é incrível. E eu fiquei sem adjetivos pra descrever então vou começar a usar “foda”. É foda demais, foda de linda. E foda de voltar, porque são mais 40 minutos caminhando de volta com o sol na cabeça. Se eu fizer isso todo dia, fico com as pernas da Gracyanne Barbosa.

Piscina natural – Praia de Antunes (Maragogi – Alagoas)

Eu amei Maragogi e acho que vale muito a pena conhecer. E vocês, qual viagem querem fazer em 2018? E quais praias recomendam? Porque pra 2018 eu quero viajar muito mais!

Gringa degringolada

Era a primeira vez que eu visitava Natal. Estava sozinha na praia, que estava atipicamente vazia pra uma manhã de verão. E como já tinha andado bastante, decidi entrar no mar. Pendurei a câmera e a bolsa numa cerca meio afundada na areia e entrei na água. O mar não estava muito bravo naquele dia, era dia de maré morta. Eu não estava distante da praia, já que queria ficar de olho nas coisas que deixei penduradas na cerca. Mas apesar de não estar agitado, eu tomei alguns caldos e, quando me dei conta, uma corrente me arrastou pra longe da praia.

Tentei nadar de volta meio no desespero e o chão simplesmente havia desaparecido. Enquanto tentava voltar, uma onda grande me virou do avesso. Engoli água e senti a queimação que era ter água salgada entrando pelo nariz. Continuei lutando pra recuperar o equilíbrio e voltar à praia. Meus pés finalmente tocaram o chão, mas devia ser apenas a ponta de uma pedra coberta de ostras afiadas. Cortei o pé e outra onda grande me virou de cabeça pra baixo.

Como eu escapei? Não faço ideia. Talvez Iemanjá tenha devolvido a oferenda. Talvez aquela não fosse a minha hora. Mas eu escapei. Consegui sair do mar me arrastando, a parte de cima do biquíni toda enrolada, cheia de areia no cabelo, cuspindo água salgada. A alguns metros de mim, uma mulher enorme (eu juro, ela devia ter mais de 1,90m) usando salto 15 e um maiô engana-mamãe gritava “PROTETOOOOOOR! VOCÊ TEM QUE USAR PROTETOOOOOOORRRRRRRR!” enquanto fazia gestos como se passasse algo nos braços.

Sim, pessoas. Ela achou que eu era uma gringa burra que nunca tinha ido a praia na vida e que provavelmente passaria o resto da semana de cama porque estava toda queimada de sol. Olha, nisso ela tinha razão. Eu realmente fiquei cheia de queimaduras aquele dia, mas o ponto não é esse.

Queimada sim, mas sem perder a ternura.

Outra praia em outro estado, Porto de Galinhas dessa vez. Eu estava aproveitando o final da tarde quando passei por um grupo de locais. Um deles comenta em voz alta: “Gringa boa, pena que não entende português!”.

Eu olhei em volta ~discretamente~ me dando conta de que eu era a pessoa mais branca da praia, quase vazia naquele horário. Sabe quando você demora pra realizar que o comentário havia sido direcionado pra você? Continuei andando como se não tivesse ouvido nada, mas a minha vontade era voltar lá e mandar um OLHAKI KIRIDINHO?? Gringa é a putakilpariu!

Longe de ser a primeira ou a última. Ser confundida com gringa até pode parecer um negócio engraçadinho, mas é bem chato por dois motivos:

  1. as pessoas acham por bem falarem os maiores absurdos na tua frente porque acreditam que você não fala português.
  2. as pessoas acreditam que podem cobrar o triplo do preço que cobrariam pra um brasileiro porque você recebe em dólar (ou euro).

Mas apesar de tudo, nem sempre isso é desvantagem. Eu já me esquivei de cantada/vendedor insistente só falando I’m sorry, I don’t speak Portuguese… Normalmente a pessoa só arregala os olhos e foge. Deve ser a tal da gringofobia que a gente ouve falar nas propagandas de cursinho de inglês.

Estou de viagem marcada, mas precavida que sou estou levando dois biquínis fio-dental. Vocês até podem achar que eu tomei gosto por mostrar a bunda por aí depois daquele incidente no meu local de trabalho, mas a verdade é uma só.

E quero ver quem vai me achar gringa com a bunda de fora.